sexta-feira, 14 de novembro de 2008

05 - WindJammer

Yesterday I participated in a event called Veleiro of the Vôo da Águia team. Comecei o texto dessa forma em homenagem a essa característica maravilhosa da Língua Portuguesa em absorver verbetes do mundo todo. Confesso que me causa certa frustração quando falam mal do Inglês e demais línguas inseridos no nosso dia-a-dia porque o nosso idioma só se enriquece com essa miscigenação lexical globalizada. Me definam déjà vu, superavit, internet... e afinal, não ficamos tão orgulhosos quando não conseguem definir saudade?
É a segunda vez que participo de um evento da Eagles Flight e o primeiro deles me causou desgastes porque havia um cidadão muito "mulher do piolho" que jogou nosso grupo para o penúltimo lugar naquela dinâmica. Por mera falta de capacidade ele não conseguiu nos colocar em últimos. Nessa segunda participação o vento soprou a nosso favor e conquistamos o primeiro lugar no Veleiro.
Pausa.
Para falar desse primeiro lugar preciso me certificar de que meu chefe não esteja lendo este texto. Chefe, se você estiver lendo este texto pare por aqui. Sei que você participou do WindJammer e não vai ficar bem comentar o resultado do nosso grupo com você por perto.
Pronto.
Segundo os organizadores, nosso resultado foi o melhor dentre os 55 países participantes e entre todas as rodadas realizadas. Fomos carinhosamente rotulados de insanos. Um recorde acima de todas as expectativas dos organizadores - e nossas.
Chefe, você não está lendo, está? Ah bom...
Ficamos muito orgulhosos do resultado mas eu não vou comemorar muito no meu trabalho. Blog, me aguente porquê você não manda em mim, eh, eh, eh.
Brincadeiras à parte, queria comentar o resultado dessa segunda dinâmica.
Os organizadores do evento se utilizaram de uma fórmula muito interessante onde os participantes tinham que elaborar as mesmas lucubrações cotidiano-rotineiras de seus cálculos, planejamentos e relacionamentos para atingimento das suas metas.
Metas. Meta é uma coisa que foi criada para você jogar a soma mais preciosa da sua energia nela em detrimento do resto do universo interstelar da sua empresa e ainda ganhar beneméritos por isso.

A grande surpresa do resultado do Veleiro não foi o resultado. Foi como se chegou a ele!
Em discussão prévia o nosso pequeno grupo de três membros pensou e concluiu propor aos demais grupos potencialmente aliados ajuntar todos os recursos para as tarefas em uma única pilha, depois ajuntar todos os membros desses grupos em uma outra pilha maior e dividí-la em duas metades. Uma metade executante das tarefas e uma outra pensadora das tarefas. Propusemos aos aliados e a idéia foi bem aceita. Tudo muito simples. Tudo muito direto. Sem burocracias e nem muitas regras. O ajuntamento dos recursos, na prática, significava a eliminação daquilo que nos toma mais tempo nas grandes corporações: justamente negociar recursos. Já imaginou se vocês tivessem que negociar com os seus conjuges comer uma maçã da fruteira, estando na mesma casa e sendo donos dessa mesma fruteira?
Então alguém de outro grupo ainda perguntou: e como a gente divide os recursos obtidos dessa joint-venture?
Não havíamos pensado nisso. Se o tivéssemos, muitos bloqueios e barreiras talvez surgissem naquele momento e desistíssemos da idéia original antes mesmo de lança-la ao mar.
Dividimos em partes iguais, respondemos. Quer mais simples e direto que isso? A verdade é que faltou uma resposta mais elaborada naquele momento.
E o resultado surpreendeu a todos.
Na nossa rotina rotineira e cotidiana do dia-a-dia nos esquecemos, não raro, de simplificar. De ser mais diretos. Perdemos nossa essência de crianças. Amo os descomplicadores. Computadores foram criados para se digitar neles e não ficar instalando e desinstalando, corrigindo bugs, eliminando vírus; carros foram inventados para nos levar para lá e para cá e não para seram lavados o tempo todo; casas foram inventadas para se viver com alguma dose de descompromisso e até com uma certa baguncinha e não para nos escravizar com as neuras do Dr. Bactéria; a industria foi inventada para produzir e não para burocratizar; os serviços foram criados para nos servir bem e não para nós a eles; o Inglês e outras línguas foram incorporados ao nosso idioma para definir o indefinível e não para servir de ferramenta de apoio aos inaptos que têm, como principal habilidade (alguma vezes, a única) a facilidade da comunicação.
Antes, muito antes, eu gostava de complicar minhas redações. Frases longas, muitas vírgulas explicativas, poucos pontos. Achava que uma escrita rebuscada traria muito mais mais benefícios ao meu favor. Hoje me vejo, naqueles tempos, como o próprio Rolando Lero da Escolinha. Achava que sabia alguma coisa e escrevia roteiros para o personagem em vez de textos. Quanto mais o tempo passa, mais eu reduzo meus parágrafos, sou mais generoso com pontos e mais econômico nas vírgulas. E sabem o que eu descobri?
Que eu não estou mudando minha forma de escrever. Ela está se tornando um reflexo da minha forma de pensar. De viver. Estou aprendendo a mandar mais "foda-ses" para o que não vale à pena. Para o que causa desgaste.
Tô só começando - afinal, ainda tenho 39. Quando chegar aos 85 quero estar bom nisso. Quero ser um velhote que manda todo mundo se foder o tempo todo, eh, eh, eh.
Ontem participei de um evento chamado WindJammer da Eagles Flight. E meu grande aprendizado não foi pensar em custos, planejamento e relacionamento. Foi observar como as situações se desdobram quando simplificamos. Recomendo o WindJammer.
Não vou falar quantos pontos nosso grupo fez... e se meu chefe se disfarçou e leu esse texto até o final com outra identidade, secreta?

Um comentário:

Joias da Família disse...

É isso mesmo!
Eu também adoro a lógica, tudo pragmático.
Então...
Simples, marido: preciso de R$ 10 mil básicos pra resolver rapidamente todos os meus problemas no shopping!