
O avião desceu. Chegamos em Bayeux e fomos direto para o hotel, que superou nossas expectativas de tão agradável e organizado. Fica na Praia de Tambaú.
Chegamos e logo liguei para um tio que mora em João Pessoa e para a minha tia de Recife, a prendada cozinheira dos frutinhos do mar ao leite de coco. Quem atendeu foi minha prima, que assim como meu tio, comentou sobre um luau com churrasco de camarões que minha tia havia feito na sua casa na Ilha de Itamaracá, na beira da praia, com muitas frutas e frutos do mar pescados na hora pelos caiçaras com rede de arrastão. Mais tarde, liguei novamente para casa da tia e o primo atendeu... e ele também contou do tal luau legal. Na terceira tentativa, à noite, consegui falar com a minha tia. Vcs adivinhem, qual foi o meu comentário infeliz? "Putz, tia. Que luau maravilhoso é esse que vc fez que está todo mundo comentando. Deve ter sido maravilhoso, não?" E ela respondeu, de pronto, na maior simpatia inerente às tias: "Venha para Recife no final de semana que eu vou preparar um luau de camarões igual para vc e sua esposa. Vcs vão adorar". Pensando na bobagem que eu havia dito, tentei escapar: "Não precisa se preocupar, tia". Mas não teve jeito: "Fábio, eu faço questão. Está decidido. Vcs vêm para cá no final de semana".
Puuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuta que pariu... eu e minha boca enorme que não sabe ficar calada!!! Não é por desfeita, mas não consigo comer peixe!!! E agora?!!
A semana passou voando e, no sábado, chegamos a Recife. De lá, rumamos a Itamaracá. No caminho, paramos em Igarassu, comemos alguma coisa e conhecemos a Igreja de São Cosme e São Damião, de 1535. A mais antiga do Brasil em atividade. Recentemente, li que foi restaurada. Já em Itamaracá, caminhamos pela orla, estivemos no Forte Orange e, de barco, fomos até a Ilha da Coroa do Avião, um banco de areia com uma cabana.
A noite da sentença caiu rápida. A todo instante eu ouvia os comentários que a churrasqueira estava pronta e que os pescadores já se preparavam para puxar a rede repleta de camarões e outras criaturas marinhas. Qual seria a minha pena? Camarões? Peixes? O que a rede traria para minha condenação por abrir a bocona na hora errada? Chegaram os meninos com a rede. Caminharam pela areia até a churrasqueira com o veredito nas mãos. "Dona, não veio nada. Só esse camarãozinho preso aqui, ó... mais nada. Andamos um tempão pelo mar e é só isso que tinha. Vamos tentar mais uma vez".
Meu, não acreditei... eu recebi uma segunda chance e estava próximo da absolvição. E, quando os pescadores voltaram, nada novamente. Minha tia ficou profundamente chateada e voltamos para a casa, onde haviam só frutas da terra. Comi, comi, comi. Comi até a jaca e passei mal mas passei mal feliz. Obrigado, Papai do Céu. Que me perdoem os amantes do camarão mas eu, realmente, não consigo comer!!!
Caro leitor, essa foi o último post sobre minhas frustrações gastronômicas. Nem sou tão enjoado assim, vai... Adoro um gorgonzola daqueles bem molhadinhos, como camembert até a última casquinha branca, sou maluco por carpaccio e eu sei que alguns dos meus leitores têm asco disso. Então, estamos quites e não fiquem tão indignados com essa minha repulsa por coisas marinhas.
Moral da história:
Em boca fechada não entra mosquito e nem camarão!!!
