sábado, 27 de dezembro de 2008

07 - OF SPUDS AND MEN #3



O nome desse texto vem na carona de um outro que descreve como um fã ouviu falar e conheceu os Spudboys de Ohio. Nessa minha versão de missiva eu tb vou descrever como conheci essa banda genial que nasceu em meados dos 70's, com um grupo de estudantes de artes da universidade de Kent State... Bem, essa história os cara-batatas e as minas-batatas do mundo inteiro já conhecem. Não devemos repetir.*
*
Eu estava recém admitido na escola SENAI da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, juntamente com mais 59 carinhas de 14 anos. É nesse cenário que tem início essa viagem no tempo, no ano de 1984. O meu leitor gostaria de arriscar o que significa 60 adolescentes, divididos em duas turmas e confinados em duas salas de aula? Os 30 alunos da minha sala ficavam o tempo todo arrumando assunto sobre mulheres, carrões, mulheres, surf shops, baladas, mulheres, tendências musicais, mulheres. Cacete, quando o assunto enveredava para essas tais tendências musicais é que o bicho pegava prô meu lado. Eu era muito cabação e, até então, só tinha ouvido falar de um tal de Queen e de um outro tal Kiss que haviam se apresentado por aqui algum tempo antes. Eu conhecia bem a Blitz, o Rádio taxi, o Ovelha, o cara da "casinha branca de varanda", a Aquarela do Toquinho, as músicas dos meus vinis Dancin' Days, Hit Parade (aproximadamente 35% dos lançamentos dessa época se chamavam Hit Parade), Disco'83, Grease e essas coisas da primeira metade dos 80's que tocavam na meia dúzia de FMs que existia na época. Eu também conhecia alguma coisa de rádio AM que eu me nego a contar o que era, nem se o leitor ameaçar nunca mais voltar ao meu blog. Esqueeeeeeeeeeeeece!!! Não falo nem fodendo!!! Não falo nem para salvar o Brasil...
Um dia, estavam os 30 reunidos na sala de aula e algum imbecil teve a idéia de cada um falar o tipo de som que gostava. Mas não era simplesmente falar o nome de uma banda. Era necessário identificar a que tribo pertencia. Se era heavy metal, funkeiro, sambista, Eu me sentia uma vaca na fila para o abate à medida em que chegava a minha vez pq eu não tinha a menor idéia do que responder. Tinha uns caras que respondiam "Balanço". Eu pensava que poderia responder a mesma coisa pq achava que o tipo de som que eu ouvia "soava" como "balanço". "Balanço" era uma palavra legalzinha. Estava chegando a minha vez e eu ainda estava em dúvida. Eu era o Papaléguas entre 29 Coiotes salivantes. Respondiam heavy metal. Balanço. Balanço. Samba. Balanço. Progressivo. Heavy metal. Balanço. E por aí seguia do desfile de estilos, até que alguém respondeu new wave. Caro leitor, fala sério: new wave não é um puta nome legalzinho? E foi quando um outro carinha tb respondeu new wave. Decidi: eu sou new wave tb... desde criancinha. E, quando a batata quente caiu na minha mão eu não tive dúvida: respondi new wave. E, ao final da enquete, só nós três respondemos new wave. Algum tempo depois descobri que tipo de som era "balanço". Descobri tb que quase metade da minha sala era heavy metal e que os heavy metal escomungavam os new wave nos 80's.
Naquele dia, os dois caras que declararam serem new wavers me enquadraram para saber quais eram as bandas de new wave que eu ouvia "e foi então que eu percebi-i-i" (Renato Russo) que Bonnie Tyler, Michael Jackson e Gazebo não eram new wave porríssima nenhuma!!! Um desses dois new wavers era um tremendo "paga-pau" de um skatista apelidado de Pivô. "pq o Pivô isso, o Pivô aquilo". Só faltou dizer que o tal Pivô vivia na Bat Cave, temia a Kriptonita, tinha um avião invisível e se transformava no Ultra Seven. De todo o resto, ouvi do Pivô.
Tb fiquei sabendo por esse fiel "pagador de pau" que o tal Pivô gostava de Devo e "dos" B-52's. Portanto, se eu era new wave, teria que ser como eles e o tal Pivô e tb gostar de Devo e "dos" B-52's. Mas eu nem sabia como era esse tal de Pivô!!!
Fui a uma loja de discos e comprei um LP das batatas e um capa preta "dos" B-52's. E gostei muito desses dois famosos álbuns, vcs não imaginam como. Alguns dias depois, voltei à loja e comprei o Nutra (Devo), o Dev-o Live, o capa amarela, o capa vermelha, o capa verde e o Mesopotâmia (esses últimos, The B-52's). Gostei de todos. Comprei tb uma revistinha cifrada chamada "Agora Cante" que fazia muito sucesso na época. Era uma edição especial sobre New Wave e tinha um breve prospecto das bandas desse estilo que já haviam aterrissado por aqui: Além de Devo e The B-52's, tinha The Cars, A Flock Of Seaguls, Thomas Dolby, Cindy Lauper (?), Nina Hagen (?), Peter Schilling, X, Depeche Mode, Ultravox, Culture Club, Oingo Boingo, Inxs, Duran Duran e The The. E essa pequena e preciosa cartilha passou a ser a minha referência musical nas próximas aquisições durante muito tempo. Graças a essa pequena pedra filosofal de papel jornal se iniciou minha identidade musical que perdura até os dias de hoje.
Mas as minhas bandas prediletas daquela época eram mesmo o Devo e "os" B-52's. Fui adquirindo material, revistas, encartes, vinis, patches de roupas. Vcs lembram que nos 80's, não bastava usar as calças de popeline verde-limão ou cor de laranja e tb era preciso enchê-las com pequenos pequenos pedaços de tecido com bordados coloridos com o logotipo da Hang Loose, da OP, da Sundek, "dos" B-52's, da bandeirinha da Inglaterra? Se chamavam patches!!!
Frequentei Raio Laser, o Radar Tantã, A Up & Down, a Rose Bom-Bom, a Victoria Pub, entre outros redutos da new wave paulistana nos 80's. Fui às três apresentações do Devo em 1989, no extinto Projeto SP. Conversei com a banda (por intérprete). Aliás, quando cheguei na frente de Mark foi que me lembrei que não falava Inglês. Tb foi por causa desse episódio que fui aprender o idioma, juntamente com uma amiga, a Marcinha. Voltando. Peguei autógrafos. Ganhei um pin de Mark. Dei uma camiseta que estampei com o logo das duas carinhas para o Mark, a pedido dele. Acabei ficando razoavelmente bom nisso. Não tinha nenhum heavy metal (agora eram Head Bangers) que discutisse música de igual para igual comigo. Na faculdade, cheguei a escrever um artigo sobre Devo para uma revista especializada, indicação de um roqueiro do nosso meio.
Um dia, a recompensa!!! A tal amiga Marcinha chegou até mim e disse que tinha um amigo, o Sabino, que tb gostava de Devo. Depois de toda a propaganda devóide que a Marcinha havia feito para ele sobre mim ele queria me conhecer. Então a Márcia intermediou um chopp na lanchonete em frente à faculdade entre nós três e mais um punhado de habitués. E rolou, na pauta da noite, a banda mais famosa da new wave dos 80's.
O Sabino perguntou sobre os caras, sobre a discografia alternativa, contatos, todas aquelas coisas que os fãs gostam de saber sobre suas bandas de cabeceira. E tb me perguntou como eu havia conhecido o Devo. E eu contei a história do tal Pivô que vivia na Bat Cave, que temia a Kriptonita, que tinha um avião invisível e que se transformava no Ultra Seven.
Então o sabino disse: "Não é possível. Como esse mundo é pequeno. O Pivô sou eu".
E foi assim que conheci o Pivô!!!
Alguns anos mais tarde surgiu a Internet no Brasil. E, com ela, alguns artigos sobre a minha banda predileta. Voltei a tomar contato com informações sobre os homens-batata e seu retorno ao cenário musical, suas turnês, novas coletâneas, DVDs etc. Em 2007, após o show paulistano da turnê atual da banda, tive a oportunidade de estar com eles novamente, falar com Mark e mostrar uma foto tirada na última vez em que estiveram no Brasil, 18 anos antes.
E foi assim que conheci o Devo!!!

"Mark -o- Devo: You still are stiff enough for DEVO".
(Foi um trocadilho com "Be Stiff" mas não sei se rio ou se choro; eu saí duro como um poste nessa foto...rs)


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

06 - Presepas de Natal

O nascimento do Pequeno fora aguardado durante muito tempo. Melchior, Baltazar e Gaspar já haviam feito suas compras no shopping para evitar as filas de última hora. Melchior era o mais playbas dos três e comprou seu presente na Carla Settani da Daslu. Já a mirra dada por Baltazar era do Boticário e o incenso de Gaspar foi comprado na Paulus. Era um evento probo e, por essa razão, foi marcado no Dia de Natal.
Com a chegada do grande dia, Maria procurava um local para a realização do evento. Mas todos os amigos e familiares tiravam o corpo fora. Um não poderia abrigar aos convidados pq sua casa era pequena; outro pq iria viajar, outro pq já havia marcado outro compromisso...
Por fim, Maria conseguiu um lugar na casa da vaquinha de presépio. A vaquinha era conhecida de todos e, nessas horas de aperto, era para seu presépio que todos corriam para se abrigar.
O Pequeno nasceu e deram a ele o nome de Jesus.
Então todos apareceram para festejar seu nascimento. Vieram os amigos, vieram até a galinha e a leitoa para ajudar nas refeições. A galinha entrava com os ovos para a salada e a leitoa entrava com o pernil para a ceia. Chegaram tb Gaspar, Baltazar e Melchior e todos ficaram curiosos e fascinandos com os presentes após se refastelarem com a deliciosa refeição. Enquanto os três reis contavam aos convidados as suas aventuras pelo Oriente Maria se deliciava com a pilha de pratos na cozinha.
Depois do nascimento de Jesus o Natal nunca mais foi o mesmo. As pessoas se reunem para festejar, beber, trocar presentes, soltar rojões, gritar no meio da rua, quebrar garrafas de cerveja... Uma verdadeira presepada para homenagear os presépios da época da vaquinha. Daí a origem do nome . Todos esperam ansiosos pela meia-noite do dia 24 de dezembro.
Jesus cresceu forte, bonito e sua história se tornou conhecida por um terço da humanidade. Quando é Natal, algumas pessoas ainda lembram dele até hoje.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

05 - WindJammer

Yesterday I participated in a event called Veleiro of the Vôo da Águia team. Comecei o texto dessa forma em homenagem a essa característica maravilhosa da Língua Portuguesa em absorver verbetes do mundo todo. Confesso que me causa certa frustração quando falam mal do Inglês e demais línguas inseridos no nosso dia-a-dia porque o nosso idioma só se enriquece com essa miscigenação lexical globalizada. Me definam déjà vu, superavit, internet... e afinal, não ficamos tão orgulhosos quando não conseguem definir saudade?
É a segunda vez que participo de um evento da Eagles Flight e o primeiro deles me causou desgastes porque havia um cidadão muito "mulher do piolho" que jogou nosso grupo para o penúltimo lugar naquela dinâmica. Por mera falta de capacidade ele não conseguiu nos colocar em últimos. Nessa segunda participação o vento soprou a nosso favor e conquistamos o primeiro lugar no Veleiro.
Pausa.
Para falar desse primeiro lugar preciso me certificar de que meu chefe não esteja lendo este texto. Chefe, se você estiver lendo este texto pare por aqui. Sei que você participou do WindJammer e não vai ficar bem comentar o resultado do nosso grupo com você por perto.
Pronto.
Segundo os organizadores, nosso resultado foi o melhor dentre os 55 países participantes e entre todas as rodadas realizadas. Fomos carinhosamente rotulados de insanos. Um recorde acima de todas as expectativas dos organizadores - e nossas.
Chefe, você não está lendo, está? Ah bom...
Ficamos muito orgulhosos do resultado mas eu não vou comemorar muito no meu trabalho. Blog, me aguente porquê você não manda em mim, eh, eh, eh.
Brincadeiras à parte, queria comentar o resultado dessa segunda dinâmica.
Os organizadores do evento se utilizaram de uma fórmula muito interessante onde os participantes tinham que elaborar as mesmas lucubrações cotidiano-rotineiras de seus cálculos, planejamentos e relacionamentos para atingimento das suas metas.
Metas. Meta é uma coisa que foi criada para você jogar a soma mais preciosa da sua energia nela em detrimento do resto do universo interstelar da sua empresa e ainda ganhar beneméritos por isso.

A grande surpresa do resultado do Veleiro não foi o resultado. Foi como se chegou a ele!
Em discussão prévia o nosso pequeno grupo de três membros pensou e concluiu propor aos demais grupos potencialmente aliados ajuntar todos os recursos para as tarefas em uma única pilha, depois ajuntar todos os membros desses grupos em uma outra pilha maior e dividí-la em duas metades. Uma metade executante das tarefas e uma outra pensadora das tarefas. Propusemos aos aliados e a idéia foi bem aceita. Tudo muito simples. Tudo muito direto. Sem burocracias e nem muitas regras. O ajuntamento dos recursos, na prática, significava a eliminação daquilo que nos toma mais tempo nas grandes corporações: justamente negociar recursos. Já imaginou se vocês tivessem que negociar com os seus conjuges comer uma maçã da fruteira, estando na mesma casa e sendo donos dessa mesma fruteira?
Então alguém de outro grupo ainda perguntou: e como a gente divide os recursos obtidos dessa joint-venture?
Não havíamos pensado nisso. Se o tivéssemos, muitos bloqueios e barreiras talvez surgissem naquele momento e desistíssemos da idéia original antes mesmo de lança-la ao mar.
Dividimos em partes iguais, respondemos. Quer mais simples e direto que isso? A verdade é que faltou uma resposta mais elaborada naquele momento.
E o resultado surpreendeu a todos.
Na nossa rotina rotineira e cotidiana do dia-a-dia nos esquecemos, não raro, de simplificar. De ser mais diretos. Perdemos nossa essência de crianças. Amo os descomplicadores. Computadores foram criados para se digitar neles e não ficar instalando e desinstalando, corrigindo bugs, eliminando vírus; carros foram inventados para nos levar para lá e para cá e não para seram lavados o tempo todo; casas foram inventadas para se viver com alguma dose de descompromisso e até com uma certa baguncinha e não para nos escravizar com as neuras do Dr. Bactéria; a industria foi inventada para produzir e não para burocratizar; os serviços foram criados para nos servir bem e não para nós a eles; o Inglês e outras línguas foram incorporados ao nosso idioma para definir o indefinível e não para servir de ferramenta de apoio aos inaptos que têm, como principal habilidade (alguma vezes, a única) a facilidade da comunicação.
Antes, muito antes, eu gostava de complicar minhas redações. Frases longas, muitas vírgulas explicativas, poucos pontos. Achava que uma escrita rebuscada traria muito mais mais benefícios ao meu favor. Hoje me vejo, naqueles tempos, como o próprio Rolando Lero da Escolinha. Achava que sabia alguma coisa e escrevia roteiros para o personagem em vez de textos. Quanto mais o tempo passa, mais eu reduzo meus parágrafos, sou mais generoso com pontos e mais econômico nas vírgulas. E sabem o que eu descobri?
Que eu não estou mudando minha forma de escrever. Ela está se tornando um reflexo da minha forma de pensar. De viver. Estou aprendendo a mandar mais "foda-ses" para o que não vale à pena. Para o que causa desgaste.
Tô só começando - afinal, ainda tenho 39. Quando chegar aos 85 quero estar bom nisso. Quero ser um velhote que manda todo mundo se foder o tempo todo, eh, eh, eh.
Ontem participei de um evento chamado WindJammer da Eagles Flight. E meu grande aprendizado não foi pensar em custos, planejamento e relacionamento. Foi observar como as situações se desdobram quando simplificamos. Recomendo o WindJammer.
Não vou falar quantos pontos nosso grupo fez... e se meu chefe se disfarçou e leu esse texto até o final com outra identidade, secreta?

terça-feira, 28 de outubro de 2008

04 - Peludinho do meio

Recém formado da faculdade, estava pronto para montar a NEXT Propaganda. Esse nome não foi criação minha, mas do Sergião. A idéia de montar a pequena agência vinha do fato de eu ser o único do grupo que não havia trabalhado em agências de publicidade e isso talvez significasse a minha única chance de trabalhar em alguma área da minha formação acadêmica. Afinal, só havia trabalhado na mesma empresa, desde 1984 - desde o SENAI.
...
Sabe quem é o Sergião? Na faculdade, era o cara precoce em editoração eletrônica, sabia fazer pequenas animações gráficas e foi quem me apresentou ao glorioso PhotoShop 2.0. Recentemente, foi lançado o PhotoShop 11.0, como parâmetro ao caro leitor. Atualmente, o Sergião é docente de animação gráfica em algumas universidades nas cadeiras ligadas à Publicidade e Propaganda. Ele gosta disso até hoje e foi quem criou aquele logotipo super legal da NEXT Propaganda para nosso grupo de TCC, em 1994.
Foi nesse ano também que desenvolvemos uma campanha por semestre para avaliação do curso de Publicidade e propaganda. O professor coordenador do curso até inscreveu essas campanhas nos Intercom de 1994 e 1995 e ganhamos um primeiro lugar em Londrina e outro em Maceió com esses trabalhos.
Ao término do curso, o Sergião deu o logotipo da NEXT Propaganda para eu usar na minha futura agência.
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Em 1996 eu comecei a comprar, com algum sacrifício, os primeiros equipamentos do meu empreendimento: computador Macintosh, Scanner, Impressora, softwares para tratamento e editoração eletrônica, etc. Fiz treinamentos na Adobe (mãe do PhotoShop) e na Apple (mãe do Macintosh). Ainda em 1996 me casei com a Rose (mãe da Bettina) e adotamos a Bia (nossa gata sem mãe). Como a Bettina só nasceria em 2000, era a Bia o centro das atenções e flashes fotográficos. Temos uma caixa de fotografias e negativos com essa gata danada. A Bia tinha fotos no nosso mural do escritório, na geladeira e até no porta-retratos. Essa última era uma foto engraçada porque em uma das mãos eu segurava a Bia de frente para o tigrinho de pelúcia da Rose, na outra mão, como se um felino estivesse enfrentando o outro.
Em 1997 eu já havia comprado quase todos os equipamentos. Faltava um ou outro detalhe e o celular da BCP estava por sair após longa fila de espera.
O caro leitor se lembra dessas abomináveis filas da BCP para adquirir um tijolo celular caro prá cacete, com taxa de habilitação e o escambal?
Uma tarde de 1997, ao sair da ainda mesma empresa de 1984 e de 1994, li no jornal local O Diário do Grande ABC que a agência NEXT Propaganda havia sido inaugurada, na véspera, por um outro aluno do meu grupo...
FUUUUUUUUUUUUUUUISH
(onomatopéia do chão desaparecendo)
Ele era um aluno que nem se importava muito com a faculdade, gostava mesmo era de apertar "um" com os amigos... Ele havia inaugurado a minha NEXT Propaganda. Caí em tristeza, não conseguia assimilar o golpe inusitado. Esse foi o meu sentimento por alguns meses.
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Passados esses meses, fui ao Shopping Metrópole fazer qualquer coisa e entrei em uma loja informática para xeretar as novidades. Tinha uma prateleira linda de softwares para Windows. editores de texto para Windows, jogos para Windows, aplicativos para Windows, PhotoShop para Windows, PageMaker para Windows, PageMill para Macintosh, Director para Window... PageMill para Macintosh??? Ué, como um software de Mac havia ido parar ali naquele oceano de janelas???
Comprar faz bem à alma dos consumistas e acabei levando aquele tal PageMill sem saber ao certo para que servia. Todo em Inglês. Informatês estranho... decifrando aqui e ali, virando a caixa de cabeça para baixo, fixando nas ilustrações: era um editor de sites.
Um editor de sites??? Será que esse software fazia aquele monte de homepages interessantes que eu acabara de descobrir havia poucas semanas, casualmente??? Equipamentos para trabalhar eu já havia adquirido...
...
Sentei na frente do Mac e fui testar o brinquedo novo. Fiz uma página branca chamada "teste.html" com uma palavra no centro: "teste". A "teste.html" me consumiu algumas horas até descobrir que minha primeira página teria que ser renomeada para "index.html". Essas páginas acabam recebendo nomes bem interessantes como "pagina01.html", "namorada.html", "flagra.html", "dsc001.html"... mas todo site tem que ter uma página chamada "index.html" senão não vai funcionar corretamente. Finalmente consegui postar essa página número um no ar!!!
Agora eu seria mais ousado: colocaria uma página com uma foto e um texto. Deixa eu ver... uma imagem... uma imagem... uma imagem... achei!!! A foto do porta-retratos com a Bia, o feroz tigrinho de pelúcia e eu. Escaneei, tratei e recortei a foto no PhotoShop... Pronto!!! Aqui está!!!
Preciso escrever qualquer coisa... qualquer coisa... já sei: "A da esquerda é a Bia, o da direita é o Ted e o peludinho do meio sou eu". Puta frase mais idiota mas, naquele momento, cumpria seu propósito. Nomeei como "index.html" e mandei prô ar!!!
...
"Caralho, porque essa merda dessa página do cacete não quer abrir na web. Fiz tudo certinho. Será que é porque estou usando essa porra de Mac que não consigo ver se a tal página número dois foi parar na web ou não? Deixa eu ligar para meu irmão para ver se ele consegue ver no PC normal, com Windows de pessoas normais"
Meu irmão não estava. Mandei um e-mail pedindo para ele fazer o teste de visualização da número dois.
"Cacete, já passaram quase dez minutos e o Fernando ainda não leu meu e-mail? Quem mais tem Internet em 1997? Se eu estivesse no futuro, em 2008, todo mundo teria acesso à web com banda larga... mas ainda falta mais de uma década para isso e eu preciso achar outra pessoa que tenha Intern... o Humberto tem. Deixa eu mandar um e-mail para ele tentar visualizar a número dois... Pronto. Foi"
No que teclei ENTER e disparei a mensagem aquele e-mail saindo pelo fio do telefone deve ter desobstruido alguma coisa e a página número dois apareceu no ar!!!


Yeeeeeeeeeeeeeeessssss. Eu sou foda mesmo. Ninguém pode comigo!!!

Imediatamente, derrubei a página da web para iniciar a número três. Afinal, convenhamos, a número dois estava muito aboiolada, fala sério!!!
Naquele final de semana fiz a número três, a número quatro... fiz a número 11 ou 12, sei lá. Anotei o endereço para mostrar meus experimentos virtuais para alguns amigos daqui e dali...
...
Segunda-feira: dia de branco. Lá vou eu para a lida, pensando nos próximos projetos... a número 13, a 14, a 17, a 25, a 126... nem o ZAZ me segura mais, eh, eh, eh!!!!
Ao chegar no trabalho, alguns olhares sarcásticos. Mais adiante, outros... quando olhei ao redor...
PUTA QUE PARIU!!!!
O filha da puta do Humberto pegou a número dois na web naqueles pouquíssimos instantes em que a página ficou no ar, descarregou um pacote de A4 na impressorinha doméstica até secar a última gota de tinta e colou no meu prédio interrinho a minha foto com a adorável frase: "A da esquerda é a Bia, o da direita é o Ted e o peludinho do meio sou eu". Isso foi terrivelmente pior que o "nakano verdinho, de compensado plano e lixa gasta presa com tachinhas" do texto aí debaixo... umas 79 vezes pior, pelo menos.


"Peludinho do meeeeeio". "Peludinho do meeeeeio". "Peludinho do meeeeeio". "Peludinho do meeeeeio". "Peludinho do meeeeeio". "Peludinho do meeeeeio". "Peludinho do meeeeeio".

Cansei de ser o "Peludinho do meeeeeio". Da Bia e do Ted ninguém falava nada. Que merda!!!
...
Isso durou apenas alguns anos. Acho que lá pelo quarto ou quinto ano quase ninguém se lembrava mais desse episódio. Quando alguém lembrava, eu fazia de conta que não era comigo e a pessoa logo encerrava o assunto. Passada essa década acho que alguém até lembra disso mas ninguém tocou novamente no assunto.
...
Viu porque fazer sites é algo traumatizante? E isso não é nada. Em breve, conto mais alguns episódios!!!
...
"E Peludinho do meio é o caralho!!!"

03 - Rato com inanição



A Rose e Juliana Vermelho Martins foram as últimas pessoas que tiveram contato com o rato saudável. Faz um mês que está sem comer e até sofreu uma pequena mutação à Darwin para conseguir sobreviver. Ouviu dizer que os gatos de olhos azuis são muito populares entre muitos membros do blog e fez isso para conseguir alguma comida, um pires de leite, uma barata, uma mosquinha...

Ju, obrigado pela lembrança da Rê Bordosa. Me veio o polinômio Glauco, Angeli, Laerte e Fernando Gonsales com seus inesquecíveis Niquel Náusea, Bob Cuspe, Piratas do Tietê, Geraldão, what else.



Grande beijo e um forte abraço a todos!!!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

02 - Acordei com uma puta dor de cotovelo...

Tudo começou em 1979 com o Nakano.

Deixa eu lhes apresentar: Nakano era meu primeiro skate. Um brinquedinho de acrílico fumê transparente, lindo, lindo. Naquele ano, skate virou uma febre em São Caetano do Sul. Recentemente, assistindo ao filme The Lords Of Dogtown, que conta a história do esporte e de seus precursores como Tony Alva, Jay Adams e Stacy Peralta, vi que os primeiros shapes que saíram da California, em 1976, foram vendidos para a Austrália e para o Brasil. Eram shapes fabricados de forma bem artesanal, em madeira maciça e esculpida ou colados. Conheci esses mesmos shapes em 1979, pois não haviam evoluído muito nesses três anos. Mas o Nakano - o poderoso Nakaninho - tinha seu shape com uma rabeta curvada para cima e um bico apontado para baixo. Um design lindíssimo! Logo na estréia, sem muita habilidade, soquei o nariz do Nakano num poste metálico de iluminação e adiós bico... Não demorou muito e a rabeta teve o mesmo destino... A parte que sobrou não podia sequer respingar de água, que ficava mais lisa que sabonete escapando da mão esquerda para a direita, esquerda, direita e indo parar no chão... ô skate de acrílico do caralho!!! Mas o seu Zé Fioretti, meu avô, deu um jeito e fez um shape de madeira compensada, pintada de verde. E pregou uma lixa com tachinhas na volta toda. Você tem idéia de como é um skate verde, de compensado plano e com uma lixa presa com tachinhas? Nem queira ter. E você tem idéia do que é chegar com ele, no auge dos meus nove anos de idade, no meio daqueles marmanjos de 14, montados em importados Hang Ten ou nos nossos Torlay, Costa Norte, DM? Vamos pular essa parte, ok?

Meu nakano (agora ele se tornara um nakano com letras minúsculas) verdinho, de compensado plano e lixa gasta presa com tachinhas durou até 1984. Nessa época, com o abono do primeiro emprego do SENAI, fui até a Franete. Era uma famosa loja de skate daquela época que contava com um half pipe que soltava tinta verde em quem chegasse perto, e comprei um modelo bem grandão, com lixas coladas e coloridas, shape de modelagem côncava e eixo de alumínio de 160 mm. Um Opalão dos skates.

Numa manhã fria, acordei de madrugada e às 6h30 peguei o Viação Triângulo até o Paço Municipal de São Bernardo do Campo, cidade onde passei a morar desde  julho de 1979. Certamente, por volta das 7h00 da manhã, não haveria nenhum retardado como testemunha e eu poderia levar os primeiros tombos no bowl à vontade, até aprender algumas noções básicas. Bowls são aqueles buracos para skate...
Ainda mais cedo havia dois putos que tiveram a mesma idéia que eu!!!

Andava de skate do bowl prá rua de casa, pro bowl, prá ladeira de paralelepípedo na esquina de casa. É verdade. Era um ladeirão e eu sou o inventor do skate de paralelepípedo, cujo único praticante que conheci até hoje fui eu mesmo! Em 1992 parei de freqüentar o bowl, que agora tinha, no seu entorno, uma skate park com um half pipe, algumas mini rampas e alguns obstáculos bem interessantes como um que lembrava uma batata ruflle. Fiquei restrito às calçadas esquisitas da rua da minha mãe, às ladeiras dos lugares que viajava, ao gramado aparadinho no entorno da Pousada Casarão, em Visconde de Mauá (depois de algumas batidas de capim com leite condensado), às calçadas de Suarão... Em 1996, me casei e decidi praticar engorda de pança, um esporte que vai na contramão do skate, como todos sabem. Em 1997, eu fui agraciado com algumas rampas de concreto do outro lado da rua onde morava mas esse parque durou apenas alguns meses até que o abaixo assinado dos moradores arrancasse a pista da praça. Voltei a praticar engorda de pança. Não raro eu me flagrava descendo a rua da casa da minha mãe. Como a Prefeitura asfaltou a ladeira da esquina o skate de paralelepípedo entrou em extinção e nunca mais se soube de outro praticante.

Parque da Juventude Cittá di Marosica - Pista de Skate de SBC
Julho de 2008. Primeiro aniversário da reinauguração da skate park do Paço Municipal de São Bernardo do Campo, o ousado projeto Cittá de Marostica, que compreende também uma praça generosa para prática de diversos esportes radicais, como alpinismo indoor, tirolesa, salto de bike, trekking etc. Um grupo de freqüentadores jurássicos do velho bowl resolveu fazer uma sessão às segundas-feiras chamada Old School. Só se entra com mais de 35 anos de idade. O charme é chegar por lá com cabelos grisalhos... Em alguns casos, o charme é chegar lá com cabelos. Melhor ainda é aparecer por lá com os velhos Tarlay, H-Prol, DM, Costa Norte. Só não vi ainda um único puto aparecer com Nakano de acrílico, quiçá nakano de compensado verde plano com lixa gasta presa com tachinhas... Fora esse último modelo, o Fiat 147 dos skates, quando surge qualquer outro dos anteriores, o pessoal faz uma roda em volta da preciosidade para admirar, para relembrar aqueles tempos.

Apareci por lá com meu skate com algumas peças remanescentes de outras décadas. O eixo ainda era aquele H-Prol de 160 mm e muitos vieram olhar de perto a raridade de pouco mais de 23 anos. Só meu shape era novo. Um long board compridão que chamava a atenção de longe. Cheguei apavorando e fui logo para a primeira rampa. Então, me lembrei que de 1992 para 2008 são 16 anos longe de uma pista de verdade... puta que pariu!!! O Old School é um sucesso, a skate park lotada, o long board chamando olhares para o cara montado nele. E se meu revival culminasse num tombão do tamanho do long board pela falta de prática. E agora? O que fazer? Sair correndo e nunca mais aparecer por lá? Esconder a cabeça em um buraco?

Mas a pista era nova e não tinha buracos... Olhei para baixo... dois metros se transformaram em 50... 30 graus se tornaram 85... aquelas 30 pessoas se tornaram o Maracanã lotado...
Fodeeeeeeeeeeeeeeeeu!!! Era caminho sem volta. Respirei fundo e... tziiiiiiimmmm.

Ué, não caí? Porque não caí? Ebaaaaaa!!! Consegui. Fui de novo e não caí. No mês de julho não caí nenhuma vez... nem no de agosto... Mas no de setembro ganhei confiança e arrisquei manobras mais fortes. E mais rápidas... Até que um japonês entrou na minha coxa direita. Ou minha coxa direita entrou no caminho do japonês. Ainda deve ter alguma parte do ombro dele na minha perna. A bateria do celular que estava no bolso da bermuda dobrou. Mas foi só um pouquinho, nem chorei.

Ontem à noite, com a coxa ainda doendo só um pouquinho, a tal da confiança deu o ar da graça e levei outro tombaço. Aí, tenho que lembrar ao leitor que skatista que é macho deixa a cotoveleira em casa porque esse acessório é só para mocinhas.

Essa manhã acordei com uma puta dor de cotovelo...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

01 - Paradoxo do Design do Blog

Hoje eu acordei e resolvi começar um blog. Fazia uma semana que estava pensando nisso e hoje, finalmente, tomei vergonha na cara. Quando tinha 6 anos plantei uma macieira. Aos 30 fiz uma filha. Aos 39, partirei para a alternativa eletro-high-tech-power-puff-rade-brother-action do livro. Um dia, chegarei ao primeiro livro. Ainda tenho que comer muito feijão nessas linhas digitais.
Há alguns anos fiz websites e mais para frente escreverei sobre esse trauma. Se você abomina alguns de seus seus clientes é porque não conhece os clientes de sites. Também gosto de felinos. Temos três em casa: a Pink, a Madonna e o Ozzy. Também escreverei sobre eles, sobre como são carinhosos e sobre suas adoráveis bolotas de pelos. Essa é a primeira vez que vou me aventurar na blogosfera; eu acho que blogs são como os felinos e como os websites: quando você pega para criar eles são pequeninos e engraçadinhos. Depois crescem e você tem que dar comida e limpar o cocô todos os dias... e também pedem a sua atenção o tempo todo... Puta merda, deveria parar por aqui!!!
Começarei o blog pelo design. Pessoas como eu, os INTP, têm essa característica: extremamente desorganizadas, precisam de uma referência. Nesse caso, o layout do Blog é a referência estética. Você nunca ouviu falar em INTP? Eu nunca havia ouvido falar. O MBTI é um teste de personalidade muito interessante e o INTP é um dos 16 tipos de personalidades que esse teste sugere. Pelo teste eu descobri que sou desorganizado e, quando dou foco a uma atividade, me torno cego para todo o resto do mundo. Isso eu já sabia há 39 anos... agora, por exemplo, se eu não terminar o raio do layout o blog "não vai sair do papel".
O blog vai se chamar rato elétrico e eu vou adotar a estética daqueles fanzines dos 80's que falavam de bandas de protesto como Olho Seco, Restos de Nada, Garotos Podres, Ira!, Plebe Rude, Varsóvia. Viram o Ira! e a Plebe Rude na lista? Pois é. Frequentaram muitos fanzines antes de se tornarem bandas pop do rock nacional. As "Gentes" com 39 anos costumam gostar dessas coisas dos 80's, rock nacional e o escambal. E também do Sr. Miyagi, da Simoni, do Atari., de colecionar tampinhas de garrafas e maços de cigarros.
Essa imagem acima (clique para ampliar) é o ensaio de fontes para ver qual se identificava com o blog. Escolhi uma que gosto muito e, só para deixar meu leitor contrariado, postei as demais. Sabe como é: "pô, ele poderia ter escolhido essa outra" ou "essa é mais a cara do conteúdo" ou sei lá mais o que...
Bem vindos ao rato elétrico!!!
Um beijo, me liga!!!